Quinta-feira, 01 DE Setembro 2011

Em Portugal não há limites ao número de jogadores extracomunitários de uma equipa. Um clube só tem de apresentar oito atletas “formados localmente”, sendo que nada impede a inscrição de oito juniores e um plantel composto por estrangeiros. Até nas provas da UEFA há regras mais apertadas, exigindo-se oito futebolistas formados no país, sendo que quatro deles no próprio clube, o que causará dificuldades, por exemplo, ao Porto e ao Benfica que, sem portugueses suficientes, terão de deixar jogadores fora da lista para a Liga dos Campeões.

Ainda assim, nada impede que esses juniores ou jogadores formados no próprio clube sejam todos estrangeiros. Por exemplo, o Di Maria preencheu todos os requisitos de jogador formado no Benfica.

Este ano, o Benfica joga sem portugueses no onze titular, mas Porto e Sporting não lhe ficam atrás. As contratações na época em curso revelam que o jogador “made in Portugal” não foi prioridade e a tendência alastra-se aos outros clubes. Todos os anos, centenas de novos atletas estrangeiros vêm tirar espaço competitivo aos futebolistas lusos..

De facto, olhando para os planteis dos três principais clubes este ano, temos o seguinte panorama:

 

Porto - não contratou nenhum jogador português, nem promoveu dos juniores (alguns ex-juniores como David Bruno que fez a pré-época, foram emprestados). Dos vários jogadores lusos que tinha a rodar em empréstimo, nenhum regressou (Castro ainda esteve algum tempo mas voltou a ser emprestado). Emprestou Beto e Sereno e vendeu Micael. Permanecem no plantel Rolando, Emidio Rafael, Moutinho e Varela.

Benfica - contratou Mika (bem como Nuno Coelho e André Almeida que entretanto foram emprestados), obteve Eduardo por empréstimo e fez regressar Miguel Vítor, Fábio Faria, David Simão e Nelson Oliveira e ainda promoveu a subida de Luis Martins e Ruben Pinto, mas em contrapartida, emprestou Roderick e deixou sair Moreira, Luís Filipe, Coentrão, Peixoto, Carlos Martins e Nuno Gomes.. Permanece apenas Ruben Amorim.

Sporting – embora tenham entrado 16 jogadores, não contratou nenhum português e não promoveu ninguém dos juniores, mas fez regressar Pereirinha e André Martins.. Emprestou Cedric e Salomão e deixou sais Tonel, Caneira, Nuno André Coelho, Abel, Pedro Mendes, Maniche, Saleiro, Djaló e Postiga.. Mantém Patrício, Tiago, Carriço, João Pereira e André Santos.

 

Conforme é bem visível, o saldo é claramente negativo! Em qualquer um dos clubes, saíram mais portugueses do que entraram (no Porto, nem entrou nenhum, só saíram)! É sem sombra de dúvida um claro desinvestimento nos futebolistas nacionais e na formação.. Mas é algo difícil de explicar..

A actual selecção de sub-20 que disputou o mundial na Colômbia tinha dois laterais esquerdos formados no Benfica.. Se Luis Martins subiu ao plantel sénior (mas aparentemente irá competir apenas pelos juniores), já Mário Rui assinou pelo Parma após terminar o contrato com o Benfica.. É estranho como este lateral, que até marcou um golo neste mundial, nunca tenha tido a oportunidade de jogar na equipa principal onde o Benfica tem contratado inúmeros jogadores nos últimos anos (Capdevila, Emerson, Carole, Peixoto, Shaffer, Sepsi, Jorge Ribeiro ou Miguelito)..

Esta realidade é ainda mais chocante quando se gastam fortunas em alguns jogadores (para além destas contratações do Benfica, poder-se-ia também falar da recente aquisição para a lateral esquerda do Porto, Alex Sandro por mais de 9 milhões de euros) e quando há alternativas nacionais a bom preço, basta recordar que no ano passado, o Braga recrutou Silvio (também formado no Benfica) por uma ninharia ao Rio Ave e num ano, chegou à selecção e foi vendido ao Atlético de Madrid por 8 milhões de euros..

Também no meio campo a situação pode ser dramática.. Olhando novamente para a selecção de sub-20, no centro do meio campo temos Danilo e Saná que foram formados no Benfica e saíram a custo zero para Parma e Valladolid, Júlio Alves que após meia época na equipa principal do Rio Ave saltou para o Atlético de Madrid, Pelé que saiu do Belém para o Milão.. Para já, safa-se Sérgio Oliveira que o Porto emprestou ao Rio Ave e já blindou no ano passado com uma cláusula de 30 milhões!

 

Em jeito de conclusão, para mim, é-me indiferente que a minha equipa jogue com 11 portugueses, 11 chineses ou 11 jogadores de nacionalidades diferentes, desde que a equipa pratique bom futebol e ganhe.. Agora incomoda-me que se invista na formação sem que se aproveitem jogadores para a equipa principal (ou que se ganhe algo com as suas vendas) e que em contrapartida se comprem jogadores estrangeiros (muitos deles desconhecidos e sem provas dadas) por somas elevadíssimas! Nos planteís dos três grandes, há cada vez menos jogadores formados internamente, mesmo o Sporting que se gabava bastante da sua academia e formação, deixou claramente de investir nos seus jovens..

publicado por Spaceship às 15:31
Caro Spaceship,
Embora esteja de acordo que seria mais simpático apostar mais na formação (e quando digo "mais", entenda-se nas equipas principais), não posso deixar de reparar que o crescimento que, primeiro Porto, e depois Benfica, registaram nas performances na Europa Europeus com a alteração desta estratégia. Aperceberam-se que é mais fácil ganhar, investindo. Porque na maior parte do casos os investimentos traduzem-se em resultados desportivos e depois económicos.O SCP só agora acordou para essa dura realidade, que é impossível ter equipas competitivas com 50% de jovens!
Com o crescimento económico e as transferências milionárias que se começaram a verificar a partir de meados dos anos 90, são muito raros os casos das apostas fortes na formação que dão frutos na Europa dos grandes.
À excepção de um Barcelona e Man Utd, não há muitos clubes ditos "grandes" que consigam esse feito. Barcelona à custa de uma fornada única, e Man Utd à custa de uma disciplina inacreditável, que é imposta desde muito cedo aos seus jogadores. E mesmo estes, tendo jogadores das suas canteras, não abdicam da qualidade exterior paga a perço de ouro.
Se retirarmos estes dois exemplos, o último caso foi com o Ajax dos De Boer, Davids, Seedorf e Kluivert, onde efectivamente existia matéria prima extraordinaria e sobretudo um estilo de jogo comum a todas as camadas do clube. Mas hoje essa escola já não é suficiente para ombrear com os maiores da Europa, e o futebol holandês perdeu muito.
A dura realidade é que, para um jovem de 18-21 anos singrar no futebol sénior, tem de ser mesmo "muito bom". Porque o patamar de exigência é tal que, "bom" já não basta, e o jogador corre o risco de queimar a sua carreira logo nos primeiros anos.
E já agora uma pergunta... será que, se o Fabregas não tem saído para o Arsenal com 17 anos, teria evoluido até ao patamar actual no Barcelona? Tenho as minhas dúvidas... é que goste-se ou não do Wenger, não há dúvidas que ele é o responsável pelo crescimento sustentável de inúmeros futebolistas... mas em equipas do Arsenal que nunca ficarão conhecidas pelos sucessos alcançados. E apesar do orgulho que tenho na formação de alguns jogadores, ainda prefiro conquistas à formação!
Apenas estou de acordo que os clubes portugueses deviam começar a baixar a fasquia nos investimentos... até porque as transferências milionárias estão em claro decréscimo na Europa. Mas apostar na prata da casa, só mesmo com jovens portugueses que se revelem futebolistas extraordinários... que diga-se, têm sido inexistentes após a geração de CR7, Nani e Moutinho.
fred a 1 de Setembro de 2011 às 20:48
Fred, concordo em parte contigo.. no entanto, o meu propósito não é que os clubes portugueses (os grandes) formem os planteis ou as equipas com a prata da casa como o Barça ou o Man Utd.. mas sim que consigam ter um jogador vindo dos juniores a entrar na equipa por ano, ou de dois em dois anos..
Custa-me entender como é que os clubes gastam imenso nas academias e na formação e depois não aproveitem esses jogadores para a equipa principal.. nos últimos anos, o Benfica e o Porto não têm conseguido um único jogador para a equipa principal, vão aparecendo, mas vão sendo sucessivamente emprestados até ficarem sem contrato e abandonarem definitivamente os clubes..
Ainda para mais, quando essas equipas (e aqui aponto mais o dedo ao meu clube), gasta milhões de euros todos os anos a comprar jogadores.. uns servem, mas outros não e também acabam por sair pela porta dos fundos..
Olhando para este mundial de sub-20 que terminou, é frustrante ver que os jogadores portueses jogam nas esquipas mais fracas da primeira liga (ou mesmo da segunda) e mesmo assim, nem são titulares indiscutíveis, enquanto no Brasil, Argentina ou França, muitos deles sejam já estrelas das principais equipas e a grande maioria tenha feito 30 ou 40 jogos na última época, incluíndo em competições internacionais (jogadores do Lyon na Champions, os brasileiros do Santos na final da Libertadores,..).
Spaceship a 2 de Setembro de 2011 às 19:06
Por amor da santa! Esta conversa da formacao nao vai a lado nenhum!
O ultimo clube a apostar forte na formacao foi o sporting e isso destruiu o clube e fez com que deixasse de discutir campeonatos com benfica e porto para passar a lutar com braga, guimaraes, nacional...
Olhando para a fantastica geracao coragem, algum de voces via algum daqueles jogadores a titulares no porto ou no benfica? Nao! Ha espaco no plantel para um ou dois, mas os outros so tem espaco em beira-mar, setubal, pacos, rio ave...
Anti facciosos! a 2 de Setembro de 2011 às 10:30
O FCP foi campeão europeu em 2004 com Vítor Baía, Jorge Costa, Ricardo Carvalho (formados no FCP), P. Ferreira, N. Valente, Costinha, Maniche e Pedro Mendes a titulares, ou seja, 8 em 11 (mais o Nuno, Bruno Vale, Secretário, P. Emanuel, Ricardo Costa, Mário Silva, Tiago, Ricardo Fernandes).
É possível conseguir grandes resultados, com equipas predominantemente compostas por portugueses.
Não têm que ser jogadores acabados de sair da formação, como fez o sporting durante anos...primeiro, têm que rodar (o CROMO do R. Carvalho, antes de se afirmar no FCP, passou pelo Leça, Alverca e setúbal).
Acho que nas camadas jovens, cada equipa não deveria poder ter mais do que 2 estrangeiros no plantel.
Joca a 8 de Setembro de 2011 às 20:50
Joca, nem é a questão dos estrangeiros nas camadas jovens, umas vez que nem esses são aproveitados.. é mesmo o investir-se nessas camadas jovens sem qualquer retorno!
Spaceship a 8 de Setembro de 2011 às 23:34

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