Quinta-feira, 25 DE Março 2010

Caríssimos,

 

Parece que vieram dar-nos razão… aguardarei por outro volte face, mas caso este não surja estaremos perante mais uma farsa que o Dr. Ricardo Costa, ao melhor estilo Juiz Decide de Hollywood, magicou para prejudicar o IV Campeão. Realmente ter pessoas da casa na Liga dá os seus frutos, como profetizou o Orelhas! Há quatro anos tivemos o Estorilgate, este ano tivemos o Tunelgate… e o vencedor será previsivelmente o mesmo.

 

Fiquei ao mesmo tempo, contente e revoltado com esta revogação. Contente porque é sempre bom saber que temos razão, e revoltado porque nada poderá apagar a farsa ou restituir a verdade desportiva dos últimos quase três meses. A ausência em questão até poderá não justificar tudo, estou de acordo… mas nunca saberemos que teria sido com este esplêndido jogador em campo.

Se fiquei contente/revoltado com a revogação, confesso que jubilei com a demissão do Hermínio Loureiro, apenas o só porque estou habituado a viver num país em que a culpa morre solteira.

Para mim, será sempre o escândalo maior de uma época que prejudicou, e muito, o Porto.

Arrisco dizer que terá sido a maior bronca da Liga na sua breve existência… ao lado disto, qualquer bacorada do Major terá sido uma brincadeira de crianças.

 

Muito se tem falado nestas últimas horas pelo que analisarei esta situação em duas partes distintas.

 

1. Enquadramento

 

Antes de mais, relembro que não tenho formação jurídica, pelo que qualquer argumento aqui esgrimido é baseado em puro bom senso e em algumas opiniões auscultadas.

 

Sobre o critério aplicado, quer o primeiro quer este que agora vingou serão discutíveis mas entendo que este último é muito mais equilibrado e razoável do que o anterior. E passo a explicar porquê, com honestidade:

Entendo como “intervenientes do jogo” quaisquer indivíduos que detenham responsabilidades nas entidades que participam no jogo. Falo dos jogadores, treinadores, dirigentes, árbitros, delegados cujas entidades que representam podem ser responsabilizadas por qualquer irregularidade.

Mais, é crucial que os eventuais infractores que sejam “intervenientes do jogo” possam ser individualmente responsabilizados e penalizados pela sua conduta pelos Clubes, Liga, Federação ou qualquer outro organismo desportivo pelo mesmo peso e a mesma medida.

O que eu não posso aceitar é que um mercenário colocado numa zona (que deveria ser) neutra, que responde profissionalmente a uma entidade que está completamente fora da esfera desportiva (é apenas um outsourcing) e não detenha um função de responsabilidade social (como a PSP), seja portador de um estatuto que o proteja e lhe permita envolver-se em quaisquer tipos de provocações sem que estas não resultem em penalizações ou castigos para o indivíduo. Se realmente lhe quiserem auferir aos stewards essa impunidade para provocar, então eles deverão ficar enquadrados com as restantes pessoas que a têm, o público em geral (a quem reconheço o direito de provocar) e consequentemente responder no mesmo quadro legal que estes.

 

Por fim,

Para os que me dizem que os stewards são necessários para a organização de um desafio e como tal “intervenientes” desse jogo, eu respondo, também o são controladores dos torniquetes ou os marcadores das linhas do relvado.

Para os que me dizem que eles só estão ali, porque efectivamente há um jogo, eu respondo, também o público!

 

 

2. Implicações

 

Aguardo que esta decisão tenha consequências na estrutura da Liga além da que assistimos, e espero que o FCP faça tudo para se ver ressarcido do enorme prejuízo desportivo e financeiro que foi o de ter dois activos do clube (um com inegável preponderância na equipa e, na altura, convocado para o Escrete) incorrectamente afastados durante mais de 13 jogos do clube.

 

Fazer cálculos seria no mínimo estúpido. Haverá apenas a certeza que o Hulk (como sou sério nem vou referir o Sapunaru, já que até o Miguel Lopes é melhor do que este) fez uma enorme falta, pelo jogador que é e pelas lesões que assolaram o nosso plantel. Nunca saberemos como teriam corrido as coisas com ele em campo… e consequentemente a verdade desportiva será sempre uma incógnita.

 

O Jesualdo referiu ontem inteligentemente que a 22 de Dezembro o Porto estava em crise… uma crise a 4 pontos dos líderes (que efectivamente estavam melhores que nos anos anteriores), e cabalmente qualificado para os 1/8 da Champions. Nos 9 jogos para o campeonato que se seguiram, com 27 pontos em disputa, o Porto perdeu 9… e isto são factos.

Hoje o Porto está a 11 e 8 pontos… o Hulk poderia ter feito a diferença? Booh, nunca saberemos. Até podia acontecer que com ele em campo não ganhássemos 5-2 ao SCP ou 5-1 ao SCB, mas ninguém me pode garantir que com ele em campo, em qualquer um dos jogos que terminou com um desfecho negativo, o Hulk não teria marcado um golo no inicio quando tudo ainda estava a zeros e o resultado fosse diferente. Talvez sim, talvez não… são suposições que nem a bruxa conseguirá certificar.

 

Dir-me-ão que a ausência do Hulk não justificará, per si, a má época do Porto, mas decerto que concordarão que um jogador daquele calibre pode decidir um jogo, estando ele em boa ou má forma. Além disso ter o Hulk em campo significaria ter dois adversários de olho nele, libertando os colegas dessa marcação. Por outro lado permitiria aliviar os restantes jogadores da enorme carga de jogos que realizaram decorrente da falta de substitutos disponíveis.

É igualmente previsível que Hulk teria sido titular em 90% dos jogos que falhou, e já nem falo nos jogos recentes em que o Porto não teve 3 avançados para formar o tridente ofensivo.

 

Paralelamente à questão da presença ou ausência do jogador, há outras questões ainda mais difíceis de quantificar. A questão financeira de ter dois internacionais impedidos de jogar, dois activos do clube que desvalorizaram (ou não valorizaram) como poderiam, e ainda a questão psicológica de um plantel que se viu debaixo do fogo da Liga, ou da influência do Hulk no jogo colectivo e consequentemente no rendimento dos colegas. Limitar esta questão aos eventuais golos e prestações do jogador é muito redutor e pouco sério.

 

 

De resto, e aqui entre nós… não era nada que eu não esperasse dado o passado recente de acusações ao Porto: quando estas saem do âmbito do CD da Liga, normalmente absolvem ou são menos penalizadoras para o clube… e assim há-de continuar enquanto estiverem por lá algumas toupeiras.

Não são coincidências, são fatalidades! E uma grande VERGONHA!!!

 

Abraço Champions

publicado por fred às 15:45

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