Terça-feira, 03 DE Março 2009

Recorrendo ao texto de  um amigo benfiquista, que percebe do assunto, deixo aqui uma breve explicação de contas da SAD dos Clubes.

 

" Uma conta de uma SAD tem a particularidade de não se tratar das contas dos grupos económicos.  O Benfica é, já há vários anos, o único clube que consolida todo o seu universo empresarial. Logo, está tudo nas contas consolidadas e estas reflectem na sua plenitude a situação do universo Benfica. Está lá toda a dívida. Isto para dizer o quê?

 

Que outros clubes existem que embelezam artificialmente as contas das SAD porque é nestas que centram a atenção da imprensa e do mercado, e que preferem deixar convenientemente de fora do perímetro de consolidação empresas com dívida bancária que não interessa juntar. 

 

As contas das SADs do FCP e do Sporting são portanto, uma espécie de montra artificialmente arrumada.

 

A SAD do Benfica reflecte a natureza da actividade da SAD e tem a dívida que deve, legitimamente, estar na SAD. Toda a restante dívida que está nas outras sociedades respeita à actividade das outras sociedades (e não está apenas lá escondida para não estar na SAD, como nos casos do Sporting e do FC Porto) e está escarrapachada nas contas consolidadas referentes ao Grupo (contas consolidadas essas que não existem nos casos do SCP e FCP).

 

As receitas do Grupo Benfica são, como se sabe, muito superiores e incluem uma série de fontes de receitas que não estão incluídas nas contas agora discutidas, mas que estão incluídas nas contas consolidadas.
 
Anseio pelo momento em que se possa comparar as contas consolidadas dos GRUPOS económicos SLB, SCP e FCP. Como nós todos gostaríamos, e que desconfortável será para quem muito gosta de construir cenários fantasiosos de elogio ao FCP e ao SCP.
 
 (A título exemplificativo, e para se ter noção da dimensão, registe-se que no exercício terminado em 2007 o grupo Benfica apresentava proveitos operacionais de EUR 87 milhões.
O Passivo Total do Grupo Benfica (tudo incluído) seria da ordem dos EUR 305 milhões, o do Grupo Benfica sem a Benfica Estádio de cerca de EUR 242 milhões, o do ‘Grupo’ Sporting de EUR 358 milhões e o do FCP de EUR 148,5 milhões. O passivo remunerado do Grupo Benfica seria de cerca de EUR 167 milhões, o do Grupo Benfica sem o Estádio de cerca de EUR 124 milhões, o do ‘Grupo’ Sporting de cerca de EUR 238 milhões e do ‘Grupo’ FCP de cerca de EUR 97 milhões. Registe-se que o EBITDA (Cash flow Operacional) do Benfica era de EUR 28 milhões (de EUR 15 milhões sem a Benfica Estádio), o do Sporting era de EUR 9 milhões e o do FCP de EUR 3 milhões.
 
Tendo presente que os agregados do FCP e do Sporting  não incluem os Estádio e uma série de entidades (e, como tal, não são comparáveis), mencionei também os agregados do Grupo Benfica sem a Benfica Estádio, para a coisa ser ligeiramente mais comparável.
 
Registe-se ainda que o Passivo Total do Grupo Sporting, face ao que tem sido publicamente admitido pelos seus responsáveis (foi admitido há sensivelmente 2 anos que era de EUR 400 milhões) será actualmente da ordem dos EUR 450 milhões e o Passivo Exigível da ordem dos EUR 235 milhões.)
 
 
2. Os resultados da SAD derivam de uma opção consciente do Benfica. Optou-se por manter os activos e não alienar direitos desportivos (e havia claramente essa possibilidade). Bastava ter vendido um jogador e neste momento a situação seria a oposta. Mas optou-se por manter a estrutura e investir adicionalmente na equipa, num quadro de controlo total das possibilidades de financiamento. Trata-se de uma situação absolutamente prevista pelo Benfica e que faz parte da estratégia delineada. Já se sabia que iríamos ter prejuízo nas contas semestrais da SAD exactamente por causa disso, o que não quer dizer que as contas no final do exercício não venham a ser diferentes.
 
O que há a assinalar aqui é o seguinte: O Benfica não esteve na Liga dos Campeões e neste exercício (até agora) não alienou quaisquer activos e o prejuízo está absolutamente dentro do projectado.
 
Quem devia estar (e está, e está) preocupado é o FCP, que realizou EUR 18,64 milhões em alienações de passes de jogadores, tem uma presença lucrativa na Liga dos Campeões e ainda assim regista um resultado líquido negativo de EUR 2,5 milhões. Isso sim, é muito preocupante, muito estranho e denuncia uma falência estrutural.
 
E não se venha outra vez com a história dos passivos. O passivo, só por si, não quer dizer rigorosamente nada, se não for comparado com o activo e se não for analisado na sua estrutura. A este nível tem de ser explicado novamente que o mencionado na imprensa é o Passivo das SADs e não dos grupos económicos. É natural que o passivo da Benfica SAD seja maior, porque a dimensão do clube (e o activo) também o é. E como disse, na SAD do Benfica está todo o passivo da SAD, não há partes escondidas de dívida para outras entidades porque não valeria a pena: o Benfica, não me canso de o repetir é o único que consolida todo o universo empresarial.
 
Se os passivos totais da Benfica SAD, Porto SAD e Sporting SAD são de, respectivamente, EUR 147,4 milhões, EUR 143,5 milhões e EUR 141,9 milhões, os ACTIVOS são, também respectivamente, de EUR 161,1 milhões, EUR 156,9 milhões e EUR 137 milhões. O que curiosamente, não vem na imprensa, porque preferem mais uma vez fazer o exercício estúpido (e há mais gente que o faz) de comparar apenas os valores absolutos do Passivo.
 
Os capitais próprios da Benfica SAD são de EUR 13,7 milhões, os da SAD do Porto de EUR 13,4 milhões e os da Sportem SAD de -4,9 milhões. Aspecto a salientar: sim, a Sporting SAD tem Capitais Próprios negativos (e isto, sim, é FALÊNCIA TÉCNICA), apesar de ter dívida escondida por uma série de empresas espalhadas pelo grupo, e que não consolidam (e que denunciam um passivo total da ordem dos EUR 450 milhões)
 
Outro aspecto (e fundamental) a salientar, é que a estrutura do passivo do FC Porto (que é uma análise importante, apesar da iluminada imprensa desportiva achar que não) revela que há EUR 61,2 milhões de dívida bancária que se vence a muito curto prazo e que necessita de ser refinanciada numa conjuntura de crise financeira mundial.
 
 
Por outras palavras, o FC Porto, para sobreviver, necessita desesperadamente do apoio da banca e depende da venda sistemática de jogadores num cenário de crise mundial (já não só financeira, mas também económica). É um cenário admitido pela administração da SAD do clube  e que configura a chamada 'falência estrutural'.
 
No entanto, quando o Benfica, numa atitude de antecipação às dificuldades inerentes à crise financeira e de excelente gestão financeira, emitiu papel comercial no valor de EUR 40 milhões, tendo utilizado EUR 25 milhões para reembolsar dívida bancária de curto prazo, não li nem ouvi na imprensa ninguém destacar a qualidade da medida. Não: na altura o que se ouviu foi a diarreia mental dos avençados do costume a elaborar sobre como o Benfica estava em dificuldades. Quando na verdade o que estava a fazer era a arrumar a casa para não estar sujeito ao que o FC Porto vai estar. 
 
3. Trata-se de um prestar de contas referente a apenas metade do exercício. São as contas semestrais, afectadas que são pela sazonalidade do fenómeno desportivo e pelas especificidades da estrutura da época desportiva. Há uma série de acontecimentos, absolutamente previstos, que determinam este resultado e há uma série de medidas disponíveis para se alterar este quadro até ao fim do exercício (se a SAD decidir vender um jogador, a situação inverte-se).
No final do exercício veremos então qual foi a verdadeira situação de toda a época, e a nível do GRUPO!
 
4. Tem particular piada a imprensa vir, em parangonas desproporcionadas, elaborar sobre a ‘falência técnica’ das SADs dos clubes. Fiquem sabendo, que em falência técnica só se encontra o Sporting SAD, que tem capitais próprios negativos. É isso que significa ‘falência técnica’. 
 
Quanto à questão do capital estar abaixo do exigido, é público, e comum às três SADs, o facto de não estarem a cumprir o o artigo 35º. do Código das Sociedades Comerciais (que não está exactamente em prática desde 2004, exactamente por força da grande quantidade de empresas do tecido empresarial português que não estão em cumprimento). A este título já aqui o escrevi: ‘É do conhecimento de todos a pesada herança de resultados transitados negativos que se herdou da era Vale e Azevedo, e que tem vindo a ser esbatida graças ao caminho de equilíbrio que se está a percorrer. Como é óbvio, isso não se faz de um momento para o outro e as contas reflectem-no. Registe-se também que a situação relativa ao artigo 35º será resolvida com o aumento de capital na SAD através da entrada em espécie das acções detidas na Benfica Estádio e posterior fusão (não, isso não melhora, em substância a situação dos capitais próprios do Grupo, mas resolve a questão formal).
 
O que importa é que o motor económico do Benfica foi posto a funcionar como deve ser (é evidente a evolução da situação operacional ao longo dos últimos anos e o seu equilíbrio crescente), a estrutura de capitais estabilizada e o passivo remunerado completamente controlado. É manter o caminho e atingir-se-á o equilíbrio financeiro na estrutura de capitais.’".
 
Um abraço e espero que assim fiquem a perceber um bocado mais do assunto. Eu próprio fiquei mais esclarecido e entendi melhor as coisas.
 
 
p.s: Dr. Nave diga de sua justiça
 

 

 

publicado por lmb às 17:32
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