Quarta-feira, 14 DE Abril 2010

Nesta jornada, a primeira equipa a entrar em campo foi o Braga que no sábado visitou o Leiria levando consigo quase 8.000 adeptos! É obra para uma equipa que nem costuma ter grande apoio mas que este ano está a transcender-se a todos os níveis! E o jogo até nem começou nada bem com o Leiria a adiantar-se no marcador logo aos 10mn de jogo numa bela cabeçada de Cássio! Mas à meia hora de jogo, o Braga empata e 3mn depois adianta-se no marcador, obra da dupla de goleadores, Meyong e Renteria. A equipa geriu a vantagem até ao fim e segurou a vitória tangencial.

 

Mal acabou esse jogo, iniciou-se o Rio Ave - Porto. Os visitantes fizeram uma má primeira parte, permitindo que o Rio Ave jogasse de igual para igual e repartindo as hipóteses de golo entre ambas as equipas. Na segunda parte, o Porto melhora mas sem resultados práticos, até que com uma hora de jogo, Jesualdo lança Farias no jogo e tudo muda. Mal entra, sofre uma falta para grande penalidade que só o árbitro não vê e logo depois marca um golo no seguimento de um canto. Ainda apareceram mais uma ou duas boas oportunidades de golo para ambas as equipas, mas o resultado não mais se alterou e Farias deu os 3 pontos ao Porto.

 

Finalmente, na terça-feira jogou-se o clássico Benfica - Sporting com 60.000 nas bancadas! A primeira parte foi dominada pelo Sporting que apareceu determinado e pressionante face a um Benfica nervoso e algo desconcentrado que falhava muitos passes no meio-campo. Ainda assim, o domínio exercido pelo Sporting poucos resultados teve porque o Sporting quase não rematou (conta-se um remate ao lado de João Pereira e um ou dois cabeceamentos para fora no seguimento de cantos). Ao intervalo, saiu Eder Luis (uma nulidade) e entrou Aimar (fantásticos 45mn) e tudo se transformou, o Benfica tomou conta da bola e encostou o Sporting à sua área. Aos 68mn, Ruben Amorim (def. direito) fura a defesa sportinguista e vai à linha cruzar, a bola sobrevoa a área e Coentrão (def. esquerdo) coloca na entrada da pequena área, onde Cardozo desvia para dentro. 10mn depois, Ramires com um excelente toque isola Aimar, que finta Patricio e faz o 2-0. O Benfica geriu o resultado até ao fim e controlou o jogo. Na segunda parte apenas se viu um remate do Sporting, com um grnade tiro de Abel do meio da rua que Quim defendeu (na repetição dá para ver que até ia para fora, mas foi o melhor que o Sporting fez). O resultado é justissimo e premiou a melhor e mais eficiente equipa em campo!

Se o jogo teve casos? Claro que teve, caso contrário não seria um clássico!

O Sporting queixa-se de um eventual penalty por falta de David Luiz sobre Moutinho (o árbitro considerou carga de ombro) e de Luisão não ter sido expulso por ter feito uma falta por tráz a Liedson com o jogo parado (segundo Moutinho na flash interview, o árbitro considerou que Luisão escorregou). Este lance originou grande indignação de todos os responsáveis, pois o capitão e treinador referiram isso na flash interview e o director desportivo foi à conferência de imprensa queixar-se desse lance!

O Benfica, por seu lado queixa-se de dois penalties não assinalados, um na primeira parte quando Carriço desvia com o braço um remate de Carlos Martins e outro na segunda parte quando Grimi acerta na perna de Cardozo (torceu a perna, mas aguentou mais 3 ou 4mn em campo, os suficientes para marcar o primeiro golo). Ainda na primeira parte e também com o jogo parado, Eder Luiz também sofre uma entrada por tráz em que nem o cartão amarelo foi mostrado..

 

Posto isto, e quando já só há 12 pontos em disputa, o Benfica lidera com mais 6 que o Braga, 11 do Porto e 26(!!) do Sporting..

publicado por Spaceship às 23:03

Meus Caros,

 

Li ontem um artigo de opinião do Prof. Manuel Costa Andrade, para quem desconhece, uma referência do Direito Português, e em particular a maior referência do Direito Penal Português. Escreveu ele sobre o caso que marca a Liga dos túneis, o castigo indevidamente aplicado aos jogadores Hulk e Sapunaru em sequencia dos acontecimentos do túnel a Luz. Aqui fica;

 

“Positivamente, Hamlet tinha razão: há mesmo mais coisas, muito mais coisas, no céu e na terra do que nós podemos sonhar na nossa filosofia. Quem poderia ter antecipado nas suas locubrações filosóficas a possibilidade de ver um dia o que, entre o espanto e a galhofa, a generosa prodigalidade da Comissão Disciplinar (CD) da Liga Portuguesa de Futebol acaba de nos oferecer? O espectáculo de um Julgador que vem anunciar a sentença, proclamando que a profere e subscreve, embora consciente da sua injustiça e desproporcionalidade. E, por causa disso, inconstitucional, certo como é que o princípio de proporcionalidade configura, por imperativo constitucional, um axioma irredutível de toda a lei, ergo de toda a sentença. Dito noutros termos, a proporcionalidade configura uma dimensão ou categoria transcendental de todo o direito, maxime do direito sancionatório, punitivo e repressivo, que, de forma mais drástica, se projecta em compressão dos direitos fundamentais. 

Manifestamente, não é fácil descortinar o que mais admirar nesta CD: se a monstruosidade - por injustiça e desproporcionalidade - da decisão; se o quadro cénico com que foi servida. Com o seu criador a desdobrar-se num arremedo de Jano. Com um rosto banhado de narcisismo e inebriado pela felicidade de mais um momentoso momento de "justiça desportiva"; e, com outro rosto, vestido de amofinada carpideira a riscar o ar com os gritos de quem sente na alma os golpes da injustiça e desproporcionalidade.

Numa primeira observação, importa sublinhar que a injustiça e a desproporcionalidade não decorrem da lei - concretamente do Regulamento Disciplinar da Liga -, devendo levar-se exclusivamente à conta do seu intérprete. Não estão na
law in book, resultam da law in action, isto é, são obra do arbítrio de quem lê, treslê e aplica a lei. Em boa verdade, a lei não impõe, sequer sugere, que seguranças privados sejam "intervenientes no jogo": nem faria sentido que o dissesse, já que eles não intervêm no jogo, na diversidade de planos, funções e papéis em que este se desdobra. Os seguranças privados não integram o universo daqueles que contribuem para a densidade agónica própria da competição desportiva no contexto da sociedade moderna, em relação à qual cumpre insupríveis e relevantes funções e serviços: desde uma função de catarse e evasão, até uma função de identidade, coesão e memória comuns. O "interveniente no jogo" mantém uma relação dinâmica de interacção, física ou simbólica, de cumplicidade ou de conflitualidade, com os "outros significantes" do jogo: companheiros de equipa, adversários, árbitro, treinador, banco, etc. No mais generoso dos limites, pode falar-se de interacção simbólica com o público e, sobretudo, com as "claques". 

O catálogo poderia alongar-se. Mas será forçoso parar. E parar a partir do momento em que, à margem de toda a dúvida, deixa de subsistir aquela teia de relação e interacção. Como sucede com os seguranças privados de um clube. Que, no contexto do jogo, não interagem nem física nem simbolicamente com os outros "intervenientes". Em definitivo, eles não pertencem - nem como protagonistas, nem como actores.” secundários, nem sequer como figurantes anónimos - ao drama do jogo, a que são inteiramente alheios. Pela mesma razão que os seguranças do hospital não são "intervenientes no acto médico"; como os seguranças da CD (se os há) não são - sorte a deles! - "intervenientes nos seus desvarios justiceiros". 

Sendo claro que a lei não impõe a classificação dos seguranças como "intervenientes no jogo",
quid inde se, apesar de tudo, a mesma lei deixasse subsistir alguma sombra de dúvida? Ela só poderia ser superada a favor da interpretação mais restritiva, a única consonante com a justiça e a proporcionalidade. Isto, em consonância com os desígnios de fundo da própria Constituição em matéria de processos sancionatórios. Mesmo que para tanto fosse indispensável lançar mão de mecanismos de interpretação e aplicação restritivas da lei. Para lograr uma interpretação consonante com as exigências de proporcionalidade. 

Não é no quadro normativo, global e sistematicamente considerado, ao dispor da CD, que radicam as razões da injustiça e da desproporcionalidade. Também não podem buscar-se em limitações ou deficiências de cariz intelectual da mesma CD, certo como é que ela não deixa de representar, anunciar e denunciar a injustiça e a desproporcionalidade. Só podem imputar-se a deficiências ou vícios da vontade. A CD decidiu assim porque quis. Sabia que proferia uma decisão injusta e desproporcionada, e foi isso que dolosamente fez.

Podia ao menos poupar a cena lastimável daquele espectáculo de derramar lágrimas de proporcionalidade sobre a desproporcionalidade da sua criatura. Depois de tripudiar sobre a lei e as virtualidades de justiça e de proporcionalidade que a mesma lei alberga na sua letra, no seu espírito, no seu sistema e no seu horizonte constitucional, restava o gesto digno de ser autêntica e crescidinha. E querer o que verdadeiramente queria. Silenciando os indecorosos clamores de carpideira menor.

Um silêncio que teria uma vantagem inestimável. Não acordaria o panglóssico presidente da Liga do seu sonho de acreditar que deixa atrás de si um futebol credibilizado. Um dia esse sonho há-de converter-se em pesadelo. Será no dia em que as intempéries vindas dos tribunais desabarem sobre as primícias acrisoladas da credibilização devidas à sua CD. Até lá, há direito ao sonho. De mais a mais, quando o pesadelo chegar, já lá estarão outros a enfrentá-lo.”

 

Pois bem, quando alguém com a competência, independência e integridade reconhecida ao Prof. Costa Andrade escreve isto sobre a decisão proferida, julgo que nada mais será preciso dizer. Mas quem quiser que conteste.

 

Até breve,

 

P.S. Desafio o “_”; ika, ou qualquer outro nome que pretenda usar a comentar este post.

P.S. Artigo do Prof. Costa Andrade publicado no jornal Público no dia 4/3/2010.

publicado por AR às 10:09
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