Sábado, 05 DE Março 2011

Meus Caros,

Não sendo um especialista na matéria, mas sabendo e percebendo a importância dos média na implementação, divulgação e expansão de uma marca, evidente é a importância que as TV´s têm hoje em dia para os clubes de futebol. E se mais não fosse, basta ver a importância que os direitos televisivos têm nos orçamentos dos clubes de futebol, não só portugueses mas também europeus e mundiais.

Sem prescindir, sempre fui contra a ideia de os clubes terem uma TV própria. Desde logo por pensar que tal é terrivelmente redutor como quase tudo o que é unanimidade. Este blog é disso um bom exemplo, pois sempre fui defensor de espaços onde exista diversidade de opinião, e só assim entendo participar. Depois, reiterando que não sou um entendido na matéria, nem sequer reflecti o suficiente sobre o assunto, mas considero que as circunstâncias de um canal de um clube dificilmente será económica e financeiramente rentável para o clube.

Posto isto,

Fui surpreendido pela notícia que o FCP iria participar num canal televisivo, concretamente no Porto Canal. Mas, o projecto e a ideia deste negócio são substancialmente diferentes.  

Em vez de uma Benfica TV azul e branca, um canal generalista inspirado pelo dragão foi a decisão tomada pelo FC Porto para o alargamento da sua plataforma comunicacional. O contrato foi assinado na última quarta-feira, entre os dragões e a proprietária espanhola MEDIApro, prevendo a possibilidade de envolvimento na gestão do Porto Canal ou mesmo, numa etapa futura, a participação no capital da estação televisiva. Pelo menos até essa altura, o negócio não implicará um grande esforço financeiro para os portistas.

Num comunicado pouco revelador, o FC Porto estabelece como objectivos do projecto reforçar a expressão pública e promover a marca e promete mais novidades "aquando da fase de concretização das intenções acordadas", o que deverá suceder, sabemos, durante o defeso da época desportiva. Do outro lado da mesa, o Porto Canal congratula-se com a possibilidade de "assumir uma dimensão reforçada no panorama televisivo português".

Presente nas grelhas digitais da ZON, Clix e MEO, o Porto Canal tem, naturalmente, um âmbito regional, muito centrado nos concelhos do Grande Porto e sustentado pelas autarquias, empresas e universidades locais, em particular a pública. Esse enraizamento acabou por encaixar bem nos estudos que os dragões fizeram a respeito da criação de um canal televisivo próprio, hipótese essa que a análise aos dados recolhidos desaconselhou, por concluir que uma versão azul e branca da Benfica TV não ajudaria à implementação do conceito pretendido, ao contrário de um canal genérico, de programação tradicional e alma azul e branca. Outra característica essencial, e que será mais verosímil numa empreitada assim, é o pressuposto de que não haja custos para o FC Porto. Se for o clube a gerir a estação, as despesas terão de ser cobertas pelas receitas.

Li ainda a opinião de Charles Biétry, ex-presidente do PSG, e presidente à data da compra por esse clube do Canal Plus em França, portanto um especialista experiente nesta matéria. Considera Charles Biétry que, “a estratégia do FC Porto pode ser benéfica, por se tratar de um canal local. Só aí evitam um problema com o qual tínhamos de nos debater no Canal Plus, que era ter o dedo apontado pelas outras 19 cidades que tinham clubes na I Divisão. Criticavam-nos por termos investido no Paris Saint-Germain e não no clube deles. Por outro lado, se a estratégia passar apenas por investir num canal de âmbito regional, tudo pode ser diferente. Primeiro, porque um canal regional não sofre as consequências de um canal nacional quando fica associado à cor de um clube; depois, porque esta estratégia pode servir na mesma as aspirações de ambos, tanto do clube como do canal, pelas audiências conquistadas por esse espaço. Parece-me uma boa ideia.”

Considera ainda que "O canal vai certamente ajudar a desenvolver o clube em vários aspectos, a começar por tudo o que está ligado à comercialização do futebol, ao merchandising, organização de eventos, publicidade de marcas associadas através de sponsors, etc...". E, de acordo com Biétry, estes são aspectos que não colidem com outros, decisivos para a sustentação de qualquer canal televisivo. "Se pensarmos que um grande número de marcas se colocam logo fora do alcance de um canal-adepto, no caso deste investimento do FC Porto num canal local, essa questão já não se coloca, porque a mesma publicidade poderá manter-se noutros espaços da grelha de programação", explicou.

Analisando estas perspectivas, parece-me francamente que este negócio para o FCP é muito mais do a criação de um canal do Clube que nunca concordei, parecendo-me de facto uma ideia interessante, que não contesto de imediato. Refiro ainda que presentemente o Porto Canal  tem maioria de capital espanhol, através da Media Luso (75%), empresa que pertence ao universo do grupo multimédia Mediapro, baseado em Barcelona, hoje já um gigante no mercado europeu. Tem os direitos da Liga Espanhola, entre outros, e possui os canais televisivos La Sexta, Gol Television e Real Madrid TV. Ou seja, poderá também nascer aqui um parceria bastante importante. Por tudo isto, congratulo-me ainda por perceber que os responsáveis do meu clube estão atentos e sempre dispostos a inovar. Mas veremos os resultados futuros.

Até breve

publicado por AR às 19:13
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